Questão de opinião - #2



“A mulher tem o direito de subir no cadafalso; deve também ter o direito de subir numa tribuna”. A frase, de Olympe de Gouges, ativista que propôs uma declaração dos direitos femininos na época da Revolução Francesa – 1789 – e, devido a sua postura, acabou por ser executada na guilhotina, saltou aos meus olhos enquanto eu fazia a clássica maratona de estudos para o Enem (e que, inclusive, eu coloquei numa redação que tinha por temática as dificuldades sociais da mulher contemporânea), ressaltou-me, novamente, o fato de que esse diabo de sociedade ainda insiste em seguir um modelo essencialmente patriarcal. Mais uma vez, nessa tag, relato minha irritação, mas agora ela cai sobre esse raio de modelo social em que habita uma concepção irracional denominada de machismo.



Exemplos claros de situações em que as mulheres são tratadas inferiormente, e por vezes, até como bens pertencentes aos homens, podem ser vistos no cotidiano de países como o Paquistão, em que maridos cometem a atrocidade, a brutalidade de lançarem ácido sulfúrico no rosto de suas esposas. Depois, apontam o ser humano como animal racional, mas, a cada dia que passa, eu creio cada vez menos nessa afirmação.
Não precisamos ir tão longe para tomarmos conhecimento do problema que a violência contra a mulher se tornou. Nos telejornais, em sites, blogs e afins estão presentes diversos casos desse tipo de agressão estúpida – baseando-se nos números de casos registrados oficialmente, e imagine só os diversos casos que não obtiveram registro.
Infelizmente, assim como existem os exemplos de indivíduos do sexo masculino que se afirmam superiores às mulheres, existem representantes do lado feminino que simplesmente acomodam-se com essa condição de dependência em relação ao homem. Porra, o que mais me irrita é ver o quanto as mulheres lutaram pela conquista de direitos, como no movimento em que reivindicavam o direito ao voto, assim como os manifestos realizados pelo movimento feminista - , e, ainda hoje, existirem mulheres que têm a essa concepção arcaica de passividade. O que me anima é ver que, em contrapartida, existem mulheres que não cansam de lutar por seus direitos, pelo alcance de melhorias, por maiores participações, seja na vida pública ou na vida política. É maravilhoso ver uma mulher estar governando um país, estar exercendo a direção de uma empresa, ou até mesmo na liderança de uma banda (digo isso pois, por muito tempo, a sociedade preferiu ver a participação quase que exclusiva de homens no cenário musical).
Eu digito isso aqui tomada por um sentimento de revolta, inconformismo. Sério. Parece que a humanidade está regredindo em certos aspectos, e a garantia da igualdade de gêneros parece ser um deles, ainda que esteja presente em pequenas doses, como naquelas “piadinhas” de mau gosto que denigrem a imagem feminina, ou naqueles comerciais em que as mulheres aparecem indubitavelmente estereotipadas, ou assumindo a postura de “objetos” de desejo masculino. Isso é inconcebível, sinceramente.

Bom, relato aqui o que eu REALMENTE gostaria de ter escrito em minha redação, mas não pude pois existem as normas do Mec referentes às competências em que o/a estudante deve atingir para ter uma boa nota, e a quinta competência, tida, enxutamente, como o respeito aos direitos humanos, me impede de fazer uma crítica mais aguda a certos segmentos sociais. É incrível como o modelo educacional nos cobra conhecimento, mas, na prática, temos que adaptá-lo ao que ele considera “adequado” se quisermos ter bons resultados.

2 comentários:

  1. Infelizmente, há muitas mulheres que não tem acesso a educação, logo não tem conhecimento dessa informação. Freud dizia que o meio de vencer os instintos era a inteligência. Lembro que ao me inscrever para um projeto onde estudo, recebi muitos julgamentos vindos de familiares e amigos. Isso porque o projeto deveria ser desenvolvidos por "homens". Fui a única garota que se inscreveu. Gosto tanto da área que passei a semana estudando sobre para fazer a carta de intensão e tudo mais. Passei em primeiro lugar. Estou muito empolgada para obter bons resultados e mostrar às pessoas que mulheres podem fazer o que elas quiserem, assim como os homens. Acredito que a melhor forma de defender uma ideia é vivendo ela. Parabéns pelo seu texto, foi bastante reflexível.

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    1. Pois é, a falta de acesso a informações ainda é um terrível problema. Também já recebi diversos julgamentos vindos de familiares e amigos frente a opiniões minhas. Por exemplo, alguns deles discordam com veemência quando digo que não tenho a mínima pretensão de casar, tampouco ter filhos, ou quando defendo certos pontos de vista referentes à igualdade de direitos. É muito triste quando rotulam algo como pertencente a indivíduos de determinado sexo, como o projeto que você citou (e parabéns pelo primeiro lugar!). Esse é um aspecto que também vivenciei; já perdi a conta de quantas pessoas já sugeriram que a área que estudei no curso técnico era "de homem". E o pior era ver que alguns colegas no próprio curso detinham esse mesmo pensamento.
      Concordo plenamente quando você disse "Acredito que a melhor forma de defender uma ideia é vivendo ela". Também me motivo no esforço de ter bons resultados, com o intuito de demonstrar que as mulheres podem sim fazer o que quiserem, ainda que hajam juízos contrários.
      Muito obrigada!

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